Saiba como construir um silo secador de grãos

O silo de grãos na propriedade tira as famílias da dependência de empresas e cerealistas.

Por Redação 08/12/2019 - 21:09 hs
Foto: Divulgação
Saiba como construir um silo secador de grãos
O silo de grãos na propriedade tira as famílias da dependência de empresas e cerealistas.

Dar autonomia para o produtor de grãos, reduzir custos e melhorar a qualidade do milho e da soja usados na alimentação dos animais. Esses resultados já são visíveis em 119 propriedades rurais de Santa Catarina, onde a Epagri orientou a construção de 138 silos para secagem e armazenamento de grãos. Eles são fruto de um trabalho intensificado a partir de 2016, quando técnicos da Epagri e agricultores conheceram experiências de sucesso no Rio Grande do Sul e buscaram apoio técnico da Emater-RS.

O silo de grãos na propriedade tira as famílias da dependência de empresas e cerealistas. Para levar os grãos até esses locais, os produtores têm despesas com frete, além dos custos de secagem e armazenagem. E quando os grãos voltam à propriedade, a perda de qualidade provocada pela movimentação e pelo ar quente da secagem acabam impactando no desempenho dos animais.

O modelo desenvolvido pelos gaúchos pode ser dimensionado para armazenar de 100 a 3 mil sacas de grãos. Para ampliar a capacidade, o produtor pode construir mais unidades. A estrutura é cilíndrica, de alvenaria, com um fundo falso construído em ripas de madeira. Esse fundo permite a circulação do ar promovida pelo ventilador. O silo não tem tampa e deve ficar em uma área coberta.

As primeiras estruturas foram construídas no Extremo Oeste do Estado e logo a tecnologia alcançou outras regiões catarinenses. A Epagri elabora e acompanha a execução dos projetos técnicos, dimensionando o silo de acordo com a necessidade do produtor, a quantidade e o tipo de grãos, e orienta as famílias na operação do sistema.

Silo secador de grãos

Maicon Lolato está satisfeito com a qualidade do milho

Foi assim que aconteceu na propriedade de Maicon Lolato, em São Miguel do Oeste, que tem 80 cabeças de gado, das quais 35 são vacas em lactação. O silo, com capacidade para 1,5 mil sacas, foi instalado no início de 2018 e custou R$37 mil, financiados pelo Pronaf Mais Alimentos por dez anos, com juros de 2,5% ao ano. “É um ótimo negócio porque a gente tem o milho na propriedade. O grão tem mais qualidade, sem contar na resposta e na sanidade dos animais, que desempenham melhor com a ração feita em casa”, diz Maicon, que é recém-formado em Agronomia.

Para armazenar e secar os grãos em um silo tradicional, a família deixava como pagamento 20% do total enviado, que se somavam aos custos para percorrer 14km por mês com o produto. Agora, consegue até lucrar mais com a venda do excedente. “O pessoal prefere pagar um pouco mais pela saca desse milho porque ele tem uma qualidade bem maior. Com essas vendas e a economia com armazenagem e frete, acredito que em quatro anos o investimento esteja pago”, projeta Maicon.

Como é feito o silo

A elaboração do projeto deve ser acompanhada por um profissional da agronomia, pois requer alguns cálculos para dimensionar o tamanho ideal, conforme as necessidades e condições do agricultor. “É fundamental procurar a Epagri para que se faça o correto dimensionamento e a respectiva orientação de construção e operação. Não recomendamos ao produtor fazer por conta própria o silo, sob pena de não dimensionar adequadamente e, consequentemente, não funcionar corretamente”, esclarece Elvys Taffarel, extensionista rural da gerência regional da Epagri em São Miguel do Oeste.

Silo secador de grãos

O silo deve ter um fundo falso, construído com ripas de madeira e elevado do solo

Para uma capacidade de 600 sacas de milho, o diâmetro interno deve ser de 5,4 metros e a altura de 2,8 metros, por exemplo. Essas dimensões podem ser alteradas, mas a construção será sempre mais larga do que alta, em função do aumento de energia necessária caso o silo seja muito alto. Existe uma altura máxima e as medidas devem ser seguidas à risca.

A estrutura é redonda, com o fundo reto, e sem tampa. Por não ter tampa, o silo deve ser construído numa área coberta, como um galpão. Ele deve ser feito de alvenaria armada (tijolos, argamassa e ferro). Na lateral fica um ventilador, que tem o motor acoplado diretamente no eixo (motor do tipo axial), utilizado para fazer a ventilação forçada dos grãos que vão secar.

Sobre o fundo de concreto do silo, deve ser colocado um fundo falso, construído em madeira. Ele é feito de ripas trançadas sobre pilastras de madeira para ficar elevado do solo. Essa estrutura de ripamento, a altura dos pilares e o diâmetro são calculados de acordo com as dimensões do silo e a capacidade de armazenamento. Sobre o ripamento ainda vai uma tela tipo sombrite ou galvanizada. “O importante é que a malha seja pequena para que o grão não passe por ela”, alerta Elvys.

Silo secador de grãos

A parede do silo é de alvenaria armada

É esse fundo falso que vai permitir a circulação do ar promovida pelo ventilador. A estrutura do fundo deve ser construída dentro do silo, depois que as paredes foram levantadas, para que fique mais ajustada. Ela não deve ser construída fora e depois colocada dentro do silo, pois isso iria dificultar sua instalação e comprometer o ajuste em relação ao silo.

Os grãos devem ser colocados pela parte de cima do silo, com a ajuda de um elevador ou um caracol. Após o término do enchimento, mesmo que seja parcial, o agricultor deve deixar os grãos em um nível plano, para que a pressão estática seja idêntica em todas as partes e o ar saia com fluxo equivalente em todos os locais.

Investimento

Segundo Elvys, um silo com diâmetro interno de 6,6m e 3,15m de altura (2,4m com grãos) tem capacidade para armazenar mil sacas de milho e custo aproximado de R$22 mil. Ele lembra que esse valor não inclui a estrutura do galpão onde o silo será instalado. Destaca, ainda, que o investimento pode variar de acordo com questões locais, como preços de materiais e mão de obra.

Silos com capacidade acima de mil sacas têm custos menores por saca armazenada, quando comparados a silos de tamanho inferior. “Mesmo assim, se dividirmos o custo de construção pela capacidade de armazenamento e pagamento em dez anos, com financiamento do Pronaf, o custo anual é equivalente ao que o produtor gastaria com o frete de ida e retorno à propriedade”, revela .