Acusada de matar grávida de Canelinha será levada a júri na próxima quarta-feira, 24

Crime que chocou os catarinenses ocorreu em agosto de 2020. Corpo de mulher foi encontrado em uma cerâmica desativada.

Por Redação com Informações do G1 19/11/2021 - 17:05 hs
Foto: Reprodução/Youtube
Acusada de matar grávida de Canelinha será levada a júri na próxima quarta-feira, 24
Cerâmica abandonada em que foi encontrado o corpo da vítima.

Será realizada na próxima quarta-feira (24/11), às 8 horas, a sessão do Tribunal do Júri com a mulher acusada de matar a amiga para retirar um bebê de seu ventre, em agosto de 2020, no município de Canelinha. O julgamento terá lugar no plenário da Câmara de Vereadores de Tijucas, cuja entrada será controlada pela Polícia Militar, com restrição ao público em atenção às normas de segurança sanitária para combate à Covid-19.

Profissionais da imprensa poderão acompanhar a movimentação inicial do júri, antes da fase de oitiva das testemunhas e do interrogatório da ré, em uma área reservada aos veículos de comunicação. Também será autorizada a cobertura de parte dos debates entre acusação e defesa e do momento de prolação da sentença. Além das pessoas envolvidas na realização do júri, apenas um pequeno grupo de familiares da ré e da vítima terá acesso ao plenário da Câmara. A página do Poder Judiciário de Santa Catarina (PJSC) divulgará o resultado do julgamento.

O júri será presidido pelo juiz José Adilson Bittencourt Júnior, titular da Vara Criminal de Tijucas, com a atuação dos promotores de justiça Alexandre Carrinho Muniz e Isabela Ramos Philippi, além da advogada Patricia Daniela Adriano como assistente de acusação. A defesa terá a atuação dos advogados Rodrigo Goulart e Bruna dos Anjos. É prevista a oitiva de 16 testemunhas arroladas.

Presa preventivamente, a ré foi pronunciada pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel, mediante dissimulação e para encobrir outro crime. Também pelo crime de tentativa de homicídio qualificada pela impossibilidade de defesa (em relação ao bebê). Ela responderá, ainda, pelos crimes de ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual. 


Quando ocorreu o crime?

Segundo as investigações da Polícia Civil, a professora grávida de 24 anos morreu por volta das 16h30 de 27 de agosto de 2020. Ela foi golpeada diversas vezes na cabeça com um bloco de barro, ficou desacordada, teve a barriga cortada por um estilete e a bebê que gerava foi retirada do ventre. O laudo da perícia apontou que ela morreu em decorrência da uma hemorragia.


Quem cometeu o crime?

A mulher denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) era amiga da vítima. Segundo o órgão, ela simulava uma gravidez falsa para a família e amigos em Canelinha, cidade com 12,3 mil moradores.


O que se sabe sobre a dinâmica do crime?

De acordo com o MPSC, a mulher acusada disse à vítima que faria um chá de bebê para ela. No dia do crime, a ré levou a vítima até uma cerâmica abandonada, no bairro Galera, e a atacou. O corpo da professora foi escondido em um forno de cerâmica e encontrado na manhã de 28 de agosto.


Em seguida, a acusada se encontrou com o companheiro, que naquele momento acreditava que a mulher estava grávida. Os dois foram até o Hospital de Canelinha, informaram que a bebê deles tinha nascido e que o parto havia sido feito em via pública.


A equipe do hospital que atendeu o caso percebeu que as informações eram controversas e acionou a Polícia Militar. A Polícia Civil instaurou um inquérito e passou a investigar o caso.


O que motivou o crime?

Segundo o MPSC, a acusada pretendia tomar para si a bebê de 36 semanas que estava em gestação. Ela simulava uma gravidez para a família.


A suspeita foi presa?

Em 28 de agosto, a mulher e o então companheiro foram presos pela polícia e levados para a delegacia. No depoimento, a mulher confirmou o crime, mas o homem negou participação. A mulher segue presa preventivamente no Complexo Penitenciário de Florianópolis, e aguarda a audiência de júri popular. Não há data definida para o julgamento.

O suspeito de participar do crime foi absolvido?

O homem foi solto em 7 de outubro de 2020. Em 27 de julho de 2021, a Justiça catarinense o absolveu. Segundo o promotor que cuida do caso, Alexandre Carrinho Muniz, o companheiro da acusada não sabia sobre o plano de matar a professora e nem de que a própria companheira simulava uma gravidez. Portanto, não tinha qualquer envolvimento com o crime.


A filha da vítima sobreviveu?

A criança sobreviveu e chegou a ser hospitalizada. A menina sofreu cortes de estilete e também nasceu antes do tempo, pois o parto estava previsto para setembro.


Da unidade de saúde de Canelinha, a recém-nascida foi transferida para o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, no dia 28 de agosto de 2020. Ela recebeu alta em 6 de setembro.


Por quais crimes a acusada responde?

A acusada será julgada pelo suposto crime de homicídio doloso da mulher grávida qualificado pelo motivo torpe, pela dissimulação, praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima e com meio cruel, para possibilitar a prática de outro crime (subtração de incapaz e parto suposto) e feminicídio.


Da mesma forma, será julgada pela suposta tentativa de homicídio do bebê, qualificado por ter sido praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima. Contra ela pesam, ainda, as acusações pelos supostos crimes de ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual.


* Com informações do G1