Casa de prefeito não vale R$ 1 milhão, e sim 700 mil reais atesta juíza

Justiça mandou retirar do ar a Propaganda da Coligação Um Novo Caminho por truncagem.

Por Redação 18/10/2020 - 20:03 hs
Foto: Reprodução/Facebook
Casa de prefeito não vale R$ 1 milhão,  e sim  700 mil reais atesta juíza
Reprodução do vídeo onde Beto Passos comenta a propaganda veiculada.

A Justiça Eleitoral de Canoinhas mandou tirar do ar uma propaganda da Coligação Um Novo Caminho que sugeria que a casa que o Prefeito Beto Passos, candidato à reeleição, valesse R$ 1 milhão de reais. Na decisão, a juíza eleitoral acata o pedido da defesa de Passos em caráter liminar e está analisando um pedido de resposta. Segundo despacho de Marilene Granemann de Mello, a declaração de bens do candidato informa, na verdade, que a casa vale R$ 700 mil reais.

A propaganda chegou a ser alvo de um vídeo publicado por Beto Passos nas redes sociais na noite do último sábado, 17, (foto que ilustra a matéria), no qual acusa a oposição de fazer uma campanha desleal, enaltecendo o fato de que já vendeu coxinhas. Não citou os seus bens no vídeo.

A juíza assinou a decisão, em 17 de outubro de 2020 e ainda previu multa de R$ 5 mil por nova inserção no último sábado

As emissoras suspenderam a propaganda assim que foram notificadas pelo Cartório Eleitoral e pela defesa do PSDB.

Já na tarde deste domingo, 18, a Coligação de Norma Pereira divulgou nota na qual tenta esclarecer a veiculação da propaganda em caráter, supostamente, irregular. Também neste domingo, mas pela manhã, a assessoria da campanha de Beto Passos divulgou nota explicando a suspensão.


CONFIRA POSICIONAMENTOS NA ÍNTEGRA:


COLIGAÇÃO UM NOVO CAMINHO - NORMA PEREIRA

"A Coligação Partidária Um Novo Caminho vem à público esclarecer que a propaganda veiculada nas rádios referente  casa de 1 (um) milhão, tem por objetivo questionar o valor do bem e a evolução patrimonial em curto espaço de tempo, e assim fazer com que a comunidade reflita sobre o fato. 

A Coligação trouxe para o público o debate, a partir de informações públicas, sem nenhum conteúdo de depredação ou depreciação, dentro da liberdade de expressão.

Em momento algum a coligação manifestou preconceito durante o comercial ou a qualquer profissão. O objetivo é a reflexão sobre o tempo necessário para a evolução patrimonial em cada profissão e se este é condizente com os rendimentos em cada momento profissional. 

A Coligação é totalmente à favor de todos os tipos de trabalho lícitos, com ganhos correspondentes, e assim entende-se que o sonho da casa própria é um sonho de todos, mas também entende-se que quando o crescimento dos bens é muito alto e repentino, se faz necessário explicações detalhadas e, portanto, é necessário trazer a pauta e alertar a população disso. 

A Coligação é a favor da liberdade de expressão e de uma democracia justa. Se a casa em questão vale 1 milhão ou 700 mil, fato é que o valor é altíssimo e isso deixa margem para questionamentos, e foi exatamente o que foi feito. 

A parte que se sentiu afetada, publicou inverdades sobre os fabricantes e vendedores de coxinha, e em momento algum também se referiu a profissão de radialista, pois o áudio é claro e fala das atividades de vendedor de coxinha, radialista e prefeito, portanto,  Vitimizou-se e tentou inferir que a candidata a prefeita denigre os profissionais vendedores de salgados, fato este que em momento algum foi explanado ou se encontra subliminarmente entendido. 

Se está tudo legalizado, não há motivos para vitimização, tampouco distorcer os fatos. Quem ouviu o comercial, sabe que não houve preconceito algum. Desde o início deixa-se claro que a campanha é justa. Porém, isso não significa que se deixará de questionar, fiscalizar ou alertar a população e, principalmente, rebater as inverdades ditas aos quatro cantos. A população merece sempre  a verdade e sempre estará ao lado dela, sem se Vitimizar ou Inferiorizar em momento algum. 

A Coligação Um Novo Caminho está a disposição da justiça eleitoral e da população para esclarecer quaisquer fatos e declara que é expressamente contra qualquer tipo de violência moral e preconceito". 


COLIGAÇÃO NOSSA TERRA NOSSA GENTE - BETO PASSOS


A juíza eleitoral Marilene Granemann de Mello determinou a proibição da veiculação de propaganda ilegal da candidata Norma Pereira. A decisão, de 17 de outubro de 2020, ainda prevê multa de R$ 5 mil por nova inserção da propaganda que começou a ser veiculada neste sábado. 

“Nós estamos fazendo uma campanha limpa e sem ataques. Baseada na prestação de contas do resultado do nosso trabalho ao longo destes três anos e 10 meses e também na apresentação de propostas para nossa próxima gestão”, argumentou o prefeito Beto Passos. 

A representação eleitoral com pedido de concessão de tutela de urgência foi proposta pelos advogados doutores Paulo Glinski e Luis Glinski, da coligação “Canoinhas: nossa terra, nossa gente”.  Menos de 24 horas depois do início da divulgação, a Justiça Eleitoral proibiu a continuidade das inserções da candidata Norma Pereira.

Na propaganda veiculada no rádio, Norma questiona a compra da casa onde o prefeito vive com a esposa e o filho. 

“Depois de anos dedicados ao rádio e de morar a vida toda sob o mesmo teto com os meus irmãos, minha esposa e eu estamos buscando financiamento para compra da casa onde vivemos. A propaganda considerada ilegal pela justiça distorce completamente a realização deste sonho que era conseguir morar com minha esposa e meu filho. Assim como milhões de brasileiros e milhares de canoinhenses fazem, para conseguir realizar este sonho, dei entrada no financiamento”, esclarece o prefeito Beto Passos.

Passos sempre abrigou os pais e os irmãos – e com a perda de uma das irmãs, em 2017, acolheu também os sobrinhos. Com a chegada do filho Paulo dos Passos Neto, adquiriu a casa que atualmente vive. 

Na decisão, a juíza lembrou que a residência é declarada e tem valor menor do que o divulgado pela candidata Norma: “manifesto o desvirtuamento da propaganda em horário eleitoral gratuito, o que viola a Lei de Regência [9.504/97], feita com o intuito de desconstituir a imagem de candidato ao pleito, somada à circunstância de que o candidato declarou o imóvel objeto do ataque, que tem valor inferior a um milhão de reais, e é objeto de financiamento”.

Os advogados doutores Paulo e Luiz Glinski ingressaram também com pedido na Justiça Eleitoral para direito de resposta. 

Passos classificou ainda a propaganda eleitoral como preconceituosa: “um vendedor de coxinha pode, sim, depois de anos de muito trabalho, realizar o sonho da casa própria. Assim como eu, milhares de pessoas que vivem em Canoinhas são exemplo de que é possível trabalhar de maneira honesta e subir na vida. Minha solidariedade a todos que se sentiram ofendidos com a propaganda”.