CONFLITOS HUMANOS: problemas e dilemas

Por Francis Mara Schiessl; Jairo Marchesan ; e Letícia Paludo Vargas

Por Pensando Bem 23/06/2022 - 17:26 hs
CONFLITOS HUMANOS: problemas e dilemas
ILUSTRAÇÃO

            Quando se fala de conflitos ou até guerras, o que normalmente nos vem à mente ou imaginação é algo distante da nossa realidade. Entende-se por conflitos a oposição ou divergência de ideias, concepções e interesses, que geralmente culminam em violência verbal ou física. Entre os humanos, são tão antigos quanto a própria história da sociedade humana, ou seja, os conflitos permeiam a história da sociedade, no entanto, pode-se afirmar que muitos deles ocorrem ou estão mais próximos da realidade do que se imagina. 

            Ao longo da história, uma parcela da sociedade humana tentou buscar maneiras de evitar ou resolver conflitos, dentre elas, a constituição de regras, normas e leis, na perspectiva de melhor equilibrar ou regular as relações sociais. Nesta direção, muitas vezes, quem não tem condutas estabelecidas aceitáveis pela sociedade, é punido. Outra parcela da população, contudo, por vezes, estimula a exploração, a violência e outras maneiras de conduta, as quais potencializam e geram, por consequência, mais conflitos, incluindo as guerras. 

            Partindo do ponto de vista de que, desde o início da formação da sociedade humana, os conflitos estão presentes em todas as sociedades e camadas sociais, pensar que existem maneiras de promover o bem comum e boas relações humanas é um desafio. Primeiramente, é necessário conhecer e estudar os conflitos para, posteriormente, reconhecer os elementos de sua constituição e planejar estratégias de controle, com a possibilidade de atuar na perspectiva de que os conflitos possam ser reduzidos, mitigados ou aceitáveis. Mas, o que seria o aceitável? Pode-se definir como aceitável um determinado conflito quando a sua intensidade não ultrapassa os limites da tolerância ou das boas relações humanas, tampouco atrapalha a rotina e a normalidade da vida da sociedade, pois, a partir do momento em que os integrantes de determinada comunidade passam a alterar seu convívio em razão de eventos conflituosos, advém a quebra da normalidade social. 

            Quais as mudanças comportamentais que se apresentam ao longo da nossa vida, motivadas por condutas incompatíveis com a sociabilidade humana?

            Pois bem, não se pode deixar de analisar os valores financeiros que são dispensados para financiar conflitos e guerras. Atualmente e cotidianamente, quanto é investido em subterfúgios para a proteção do patrimônio e da vida, como grades, alarmes, câmeras e afins? Estes e outros fatores também justificam os motivos pelos quais somos uma sociedade que convive com medos, insegurança, violência e em conflito. Se os valores investidos na segurança pública, por exemplo, fossem convertidos para a melhoria da vida em sociedade, possivelmente haveria melhor qualidade de vida, com mais recursos para a educação, saúde e outros setores. 

            Olhando por esse prisma, não fica difícil compreender porque o artigo 244 da Constituição Federal trata a segurança pública como dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, pois se pode facilmente mensurar o quanto ela afeta a todos, de forma direta e indireta. 

            A Carta da Terra nos alerta para a necessidade de promover a cultura da paz. Neste documento, em seu 4º Princípio – “Democracia, não-violência e paz” –, no item de número 16, consta como imperativo Estimular e apoiar os entendimentos mútuos, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das nações e entre os povos. Da mesma maneira, a Organização das Nações Unidas apresenta, no item 16 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Paz, Justiça e instituições eficazes – que é preciso promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça pra todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

            Os documentos supracitados são relevantes, e estimulam estudos e práticas sobre a necessidade da construção e manutenção da cultura da paz, tanto em termos locais quanto globais.



Francis Mara Schiessl – Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC).

Jairo Marchesan – Docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC).

Letícia Paludo Vargas – Docente do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UNC).