SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS

Por Patrique Savi; Jairo Marchesan, Aline Viancelli e William Michelon

Por Pensando Bem 09/03/2022 - 14:52 hs
SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS
ILUSTRAÇÃO

            Ao longo do tempo, a sociedade humana, primeiramente estabeleceu relações com a natureza na perspectiva de sua sobrevivência. Deste modo, a obtenção de alimentos restringia-se para a alimentação humana, por meio da coleta de frutos, raízes, pesca e a caça de animais. Posteriormente, os humanos desenvolveram e dominaram as técnicas de cultivo de plantas, coleta e armazenamento de grãos para posterior plantio e novas colheitas, assim como a domesticação e criação de animais. Com o tempo, os grupos humanos estabeleceram moradias fixas e formaram comunidades, nas quais, dentre as relações sociais pautavam-se pela troca de alimentos, insumos e outros. As relações entre diferentes comunidades, e, posteriormente a constituição do sistema econômico e monetário, mudou a concepção das pessoas sobre a produção de alimentos. Assim, o objetivo de produzir para a subsistência da família foi substituído em produzir para acumular, especular e comercializar. No entanto, com o tempo e o desenvolvimento de técnicas de produção, melhoramento genético, dentre outros, a produção de alimentos cresceu exponencialmente. 

            O desenvolver de todos estes cenários, obviamente ocorreu com o uso e exploração dos bens naturais, dentre os quais, o solo, a água e os vegetais. A retirada dos recursos do ambiente natural tornou-se mais rápida do que a capacidade de produção/regeneração do mesmo. Para que fosse possível “visualizar” o impacto da exploração dos bens naturais, estabeleceu-se uma projeção anual denominada “O Dia de Sobrecarga da Terra”. Isso ocorreu em 19 de dezembro de 1987. Esse dia marca o tempo em que a sociedade humana consumiu mais os bens naturais do que o Planeta tem a capacidade de se renovar. A partir daí, ocorreu a sobrecarga sobre a Terra, isto é, constata-se que estamos consumindo mais bens naturais do que os mesmos tenham a capacidade de se renovar. Ou então, o consumo dos bens naturais é mais acelerado a cada ano. Isso, consequentemente, gerará escassez de bens naturais e desequilíbrios ambientais.

            Para estudar as relações humanos-natureza e embasar ações de preservação destes ambientes, cunhou-se o termo “serviços ecossistêmicos”, o qual se refere aos benefícios que as pessoas obtêm dos ecossistemas. Esses benefícios compreendem, por exemplo, os denominados serviços de provisão, como água, alimentos, matéria-prima para geração de energia, fitoterápicos, madeira e fibras; serviços de regulação, como o do clima, purificação do ar e da água, dentre outros; e serviços de suporte como a polinização pelas abelhas, ciclagem de nutrientes, a decomposição dos resíduos, e outros. 

            Portanto, os serviços ecossistêmicos são fundamentais para a manutenção da vida em sua totalidade. Desta forma, destaca-se a urgente e contínua necessidade de preservarmos o ambiente, repensarmos nossas atividades de produção, diminuição dos índices de consumo e redução dos processos de extração de bens naturais. 




Patrique Savi - Engenheiro Ambiental e Sanitarista - Egresso da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: patrique_savi@hotmail.com.br


Jairo Marchesan, Aline Viancelli e William Michelon - Docentes do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC).