Araucária: contribuições ambientais e sociais!

Patrique Savi; Dr. Jairo Marchesan; Drª Aline Viancelli; Dr. William Michelon.

Araucária: contribuições ambientais e sociais!
ILUSTRAÇÃO

                Caro leitor, você que nos acompanha por meio da leitura dos nossos artigos, deve ter percebido que, nos últimos, temos escrito sobre as árvores, destacando a importância delas para o ambiente e também à saúde mental das pessoas. Hoje, apresentamos algumas reflexões sobre uma árvore especial regional e que compõe o Bioma Mata Atlântica, ocupa parte da região Sul e Sudeste do Brasil e faz parte da Floresta Ombrófila Mista: a Araucaria angustifolia, conhecida popularmente como araucária, ou pinheiro do Paraná.

                Na fase inicial de crescimento a araucária precisa de área sombreada, mas, conforme vai crescendo necessita de muita luz do Sol para seu desenvolvimento, além de solo fértil, profundo e bem drenado. Na fase adulta, apresenta altura entre 20 e 30 metros, podendo viver por mais de 200 anos. No entanto, essa majestosa espécie foi fortemente explorada ao longo dos anos por conta da qualidade da madeira e, atualmente, estima-se que resta apenas 0,7% da floresta original, sendo essa, umas das razões para que, em 2006, a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN – International Union for Conservation of Nature) incluísse a Araucaria angustifolia na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção.

A araucária possui indivíduos masculinos e femininos, o que na biologia denominamos de plantas dioicas. O pinheiro masculino produz o pólen, sendo que esse, através da ação do vento, é levado à araucária feminina para iniciar à fecundação do óvulo e gerar a pinha, onde ficam os pinhões, que são as sementes da araucária. A pinha pode conter mais de 100 pinhões, chegando a pesar até 5 quilos. A maturação das pinhas ocorre geralmente entre os meses de março a setembro. Normalmente, dois anos após a polinização, as pinhas ficam maduras. O pinhão constitui-se como uma rica reserva energética, é consumido por nós humanos, mas também por outros seres vivos que compõem a fauna regional.

Embora concebe-se que os benefícios da araucária sejam predominantemente em relação a madeira ou do alimento - pinhões -, a importância ecológica desse vegetal é expressiva. Pesquisas mostram que, mais de 50 espécies diferentes são associadas às araucárias, como fungos, líquens, além de insetos, pequenos mamíferos e aves. Dentre esses seres, destacamos dois: o primeiro é uma ave conhecida como grimpeiro (Leptasthenura setaria), cujo nome popular é uma referência à palavra “grimpa” (nome do ramo do pinheiro). Estudos afirmam que essa ave vive exclusivamente em área de floresta de araucária. A ligação dessa ave com a araucária é tão intensa que no Estado do Rio Grande do Sul há um ditado popular que diz: “onde não há pinheiro, não há grimpeiro”. A relação ou interação entre a árvore e a ave é de extrema importância, pois, tal ave se alimenta de larvas da broca-do-pinheiro (Cydia araucariae), que atacam a parte reprodutiva da araucária. Assim sendo, a ave consegue o seu alimento e a árvore não sofre com os danos que nela ocorreriam se as larvas não fossem combatidas.

Já a segunda ave é a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), a qual tem hábitos que a associam tanto na predação como na dispersão dos pinhões. A dispersão poderá ocorrer durante o voo, quando as aves perdem ou deixam cair as sementes, ou por um hábito peculiar, enterram as sementes no solo para “comer depois”. No entanto, ocorre que as aves esquecem onde colocaram os pinhões, e então os mesmos germinam e originam novas árvores.

Esses são apenas dois exemplos de seres associados ou que promovem intensa relação e interação com a flora, especialmente com as araucárias. No entanto, muitos outros animais, como macacos, cotias, esquilos, roedores e veados, também ajudam a dispersar os pinhões em áreas distantes, promovendo a reprodução natural da araucária. Desta maneira, podemos dizer que, ao olhar uma araucária, por exemplo, podemos vislumbrar outras conexões, relações e interações entre outros seres vivos com a árvore e, neste caso, com a araucária.

Assim, justifica-se e destaca-se que a redução das florestas põe em risco espécies da fauna. Diante disso, é necessária e urgente a proteção dos remanescentes florestais, como os das matas de araucária. É necessário manter essa espécie protegida, pois isso promoverá a continuidade dos serviços ambientais por ela oferecidos, como o fornecimento de alimento e madeira, bem como a manutenção da natureza e da biodiversidade da Floresta Ombrófila Mista e dos demais ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica. Um velho ditado indígena já dizia: "a natureza não é algo que herdamos de nossos avós, mas sim, algo que preservamos para nossos netos". Por isso, se possível, que tal plantar uma ou mais araucárias?

 

 

Patrique Savi - Engenheiro Ambiental e Sanitarista - Egresso da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: patrique_savi@hotmail.com.br.

Dr. Jairo Marchesan - Docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional e do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: jairo@unc.br.

Drª Aline Viancelli - Coordenadora e Docente do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC).

Dr. William Michelon - Docente do Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC).