A CRISE DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Por PAMELA SUCHARA

A CRISE DOS PARTIDOS POLÍTICOS
ILUSTRAÇÃO

O declínio dos Partidos Políticos nas urnas é notoriamente visível ao longo da série de eleições nas últimas décadas do século XX e, neste início de século XXI. Logo, o declínio dos partidos também se faz presente em nosso meio atualmente. Uma das principais causas disso é a falta de representatividade vivenciada pelo eleitor diante das demandas públicas. E uma das formas de representar a insatisfação com os partidos é não comparecendo às urnas expressando assim o inconformismo do eleitor.

Uma alternativa encontrada diante deste fenômeno e ponto em comum em alguns países ocidentais é a não obrigatoriedade do voto. Logo os países com mais porcentagem de comparecimento são os que contêm a obrigatoriedade do voto. E os partidos também já estavam cientes de que não poderiam representar os cidadãos na plenitude de suas demandas.

Estamos em uma era de significativa repercussão intelectual, e de significativas  influências advindas das redes sociais, da internet. Os partidos estão cientes de como tal condição influencia a sua condição, logo se fazem presentes nas redes sociais e, os que estão mais presentes nesse meio de comunicação, geralmente são os mais aprovados, mesmo não sendo os mais votados.

Neste cenário, é importante analisar alguns modelos de representatividade e que se destaca no século XIX, em que a representatividade estava ligada diretamente ao parlamentar. Assim, ocorria a soberania do parlamento e a escolha dos representantes era feitas e relacionadas com a confiança e os vínculos locais do candidato. Nessa forma de governar, os representantes que votam no parlamento, agiam de acordo com suas consciências, não se importando com a opinião dos representados.

Outro modelo que veio logo após é a democracia de partidos. Aqui já não está mais em tese a unanimidade, nem a alta classe em que o parlamentar se apoiava, mas sim os seus partidos, onde a liberdade dos partidos para apresentar seus representantes e elaborar suas campanhas eleitorais se torna determinante. Neste contexto, o eleitor fica livre para exercitar o voto de acordo com o partido ao qual se identifica, em relação a ideologia e proposta de ação de política, e não mais se vinculava apenas a uma pessoa, mas sim um grupo, aum partido.

A crise na confiabilidade dos partidos acabou ocasionando abstenção de voto, que podemos denominar de crise dos Partidos. Porém, não podemos apenas valorizar aspecto que apontam para o fato de que os partidos estão decaindo, sabemos também que os partidos são muito importantes para a sociedade. Os Partidos Políticos são muito importantes para a democracia. Eles são os detentores do debate político que circunscreve a ação do Estado na condução das demandas públicas. Assim, os Partidos Políticos são  fundamentais para a qualidade da gestão do Estado, seja em âmbito municipal, estadual ou federal..

Assim temos a crise instaurada em nosso meio por causa da perda de identidade de cada partido. Tal condição deixa os eleitores confusos, perdidos e decepcionados. E, a fragilidade dos Partidos prejudica a qualidade e o andamento da democracia. A imagem da política acabou virando piada em meio aos cidadãos, por serem políticos fotográficos e temporais, que só aparecem em tempos de eleição, com promessas que eles não detêm o poder de realizar. Logo,  são eleitos e não cumprem suas promessas por impedimentos hierárquicos e, até legais. E assim nasce a descrença de alguns eleitores, chegando à situação que estamos hoje, a crise dos Partidos Políticos e de sua representatividade no contexto da democracia representativa.

Não é atoa que um dos países que tem o menor número de confiabilidade nos partidos seja o Brasil, onde os jovens que são mais ativos e mais presentes nas atividades públicas, estão declinando cada vez mais na questão da confiabilidade de partidos.

Enfim, um dos caminhos para que os cidadãos voltem a confiar nos partidos, seria uma profunda Reforma Política, a adoção da prática de transparência, onde seria possível a fiscalização de terceiros, um controle interno mais rígido e apurado, treinamentos e conscientização sobre cargos, e postos assumidos no partido. Assim, quem sabe fosse possível vislumbrar uma política confiável.  Uma Reforma Política que impedisse a existência de “Partidos de Aluguel”, siglas que são alugadas para determinados candidatos em períodos de eleições. Uma Reforma Política que garantisse aos Partidos espaços regulares  nos meios de comunicação em que o partido deveria apresentar sua ideologia, sua concepção de Estado, de democracia e de gestão dos bens públicos. Uma Reforma Política que exigisse que os Partidos Políticos promovessem formação de seus filiados, bem como preparação adequada de seus futuros candidatos, sobretudo em relação à representação e garantia da democracia, seja no âmbito do legislativo (vereadores, deputados estaduais, federais ,e senadores, bem como no âmbito do executivo (prefeitos, governadores e presidente da república).

 

PAMELA SUCHARA

Acadêmica do Curso de Direito da Universidade do Contestado

             Projeto de Pesquisa: O fortalecimento da democracia

 e seu impacto sobre o desenvolvimento regional

Bolsa:Art 170, Bolsa Universitária- UNIEDU

Prof. Orientador: Sandro Luiz Bazzanella