COMO ACONTECE A APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS EM TEMPOS DE PANDEMIA?

Erica Paulitisky; Jésica Beyersdorff; Paola Schimingoski; e orientação.

Por PSICOAÇÃO 16/09/2020 - 07:42 hs
COMO ACONTECE A APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS EM TEMPOS DE PANDEMIA?
ILUSTRAÇÃO

            Com o decreto 525 de 17 de março de 2020 de Santa Catarina que determina a suspensão das aulas presenciais, em razão da pandemia da COVID-19, a Escola se reinventou e o processo de aprendizagem modificou-se. “Vale ressaltar que a aprendizagem sempre aconteceu também no cotidiano, uma vez que todas as experiências vividas pelas crianças são oportunidades de ensinar diversos conteúdos, partindo dos valores familiares, do que é aceito e correto socialmente, até a aprendizagem de conteúdos específicos e sistematizados, a exemplo do que se tinha nas escolas”, comenta Jaquelini, coordenadora do Curso de Psicologia da instituição. Após a pandemia ficou evidente a reinvenção também dos papéis dos familiares, passando de cuidadores à “ensinadores”, como veremos mais a diante conforme as faixas etárias.

                Os pais que possuem os filhos com idade pré-escolar sendo do 0 aos 4 anos sentem dificuldade na compreensão deste papel de “ensinadores”, pois os pequenos matriculados podem não conseguir acompanhar as aulas à distância, devido a própria falta de maturação neurofisiológica para concentração, considerando ainda que alguns não tiveram o tempo necessário para o condicionamento da rotina escolar¹. Nesta faixa etária o aprendizado acontece de maneira mais livre, mesmo na escola, realizando atividades que estimulem as áreas específicas. Segundo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC)², o principal foco da educação infantil é promover interações e brincadeiras permitindo que as crianças se desenvolvam emocionalmente e cognitivamente, pois, nesta idade a criança está formando diferentes tipos de habilidades, como o desenvolvimento motor.

           

Como devo estimular e interagir para uma boa aprendizagem dos pequenos?

 

            “De uma forma bem simples é possível estimular e interagir através da movimentação física, sendo as brincadeiras como pular, correr, desafios de equilíbrio, bolhas de sabão, jogar bola, dançar, entre outras”, comenta Erica, discente do curso de Psicologia da instituição. Outro conceito importante a ser trabalhado é a questão da linguagem que pode ser desenvolvida através da modelagem de repetição de palavras, do uso de livros, da contação de historinhas e posteriormente permitir com que a criança repita tudo isso do jeito dela². Essa troca de diálogo entre os pais e responsáveis com as crianças é necessário e promove o desenvolvimento da aprendizagem.

 

ANOTA ESTA DICA: É importante que os pais abram espaço para as brincadeiras e adotem esta tarefa em seu dia a dia, assim, estarão estimulando seus filhos a serem os gênios do futuro!

 

            A próxima fase do desenvolvimento infantil, entre os 4 e 7 anos, a criança já possui um vocabulário marcado pela linguagem, ou seja, fala constantemente, faz inúmeras perguntas, gosta de imitar as atividades dos adultos, tem brinquedos preferidos, tem amigos imaginários, testa o poder e os limites dos outros, tem maior compreensão do que é certo e errado, podendo ter dificuldade em assumir quando erra, culpando outros pelo seu comportamento³. Entre os 5 e 6 anos a criança começa a seguir instruções e aceitar comandos, tem uma maior capacidade de memorização e repetição de histórias, imita super heróis, o pai ou a mãe, comenta Jéssica discente do curso de Psicologia da instituição.


ANOTA ESTA DICA: A criança gosta de rotina e deve ser apresentada a criança com antecipação para que fique preparada para executar todas as tarefas diárias, desde a higiene (escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa) até as tarefas escolares.

 

ATENÇÃO: É extremamente importante a participação dos pais ou responsáveis no cumprimento das tarefas, principalmente nesse momento de distanciamento social onde além das aprendizagens oferecidas pela escola, é um momento de desenvolvimento e conhecimento das emoções da criança, que refletirão em sua vida adulta.

A próxima faixa etária a ser abordada é entre 8 e 12 anos, fase esta marcada pelo pensamento lógico, que é fortalecido e vai se tornando capaz de realizar abstrações cada vez mais complexas, ou seja, já conseguem utilizar melhor as tecnologias e desta forma acompanham as aulas remotas proporcionadas pela escola⁴.

 

ATENÇÃO: nesta fase a criança começa a fantasiar com histórias e situações irreais. Cabe aos pais apresentar a realidade aos seus filhos.

 

Então, o que fazer quando a criança não quer acompanhar as aulas remotas?

 

                “As crianças continuam a aprender, o tempo todo e o prazo é ilimitado, todas as experiências da própria rotina pessoal são oportunidades de aprendizagem”, comenta Paola, discente do curso de Psicologia da instituição. Tratando-se das tarefas escolares, o ideal é que os pais ou responsáveis organizem uma rotina de estudos para a criança, com ambiente propício (mesa limpa, desligar sons de TV, rádios e celulares); Separe o material necessário; elabore um cronograma junto com a criança; assista às vídeo aulas; recompense bons comportamentos; pergunte e escute a criança sobre o conteúdo que está sendo estudado; valorize e elogie o esforço da criança para o cumprimento das tarefas.

 

                A Universidade do Contestado Campus Canoinhas possui o Núcleo de Serviços em Psicologia (NSP) que oferece serviços gratuitos à comunidade e está localizado na rua Roberto Elke, 85. O agendamento é realizado via SUS. Procure a Unidade de Saúde Básica de seu bairro.


As Autoras:


Jaquelini Conceição – Coordenadora do Curso de Psicologia da Universidade do Contestado (UnC). Email: jaquelini@unc.br

Princela Santana da Cruz – Docente do curso de Psicologia da UnC Canoinhas e Mestranda no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). Email: princela@unc.br

Erica Eloisa Paulitisky – Discente do curso de Psicologia da Universidade do Contestado UnC. Email: ericapaulitski@hotmail.com

Jésica Beyersdorff – Discente do curso de Psicologia da Universidade do Contestado UnC. Email: jesica.jb@hotmail.com

Paola Malacoski Schimingoski – Discente do curso de Psicologia da Universidade do Contestado UnC. Email: pa_schimingoski.1999@hotmail.com



Referências:


¹PINHEIRO, Chloé. Educação Infantil: Como fica a educação das crianças pequenas em tempos de coronavírus?. Publicado em 22 de abril de 2020. Disponível em: https://bebe.abril.com.br/desenvolvimento-infantil/como-fica-a-educacao-das-criancas-pequenas-em-tempos-de-coronavirus/. Acessado em: 19/08/2020.

 

²BNCC (BRASIL, 2017, p. 23).

 

³PIAGET, J. A equilibração das estruturas cognitivas. Problema central do desenvolvimentoRio de Janeiro: Zahar, 1976; PAPALIA, D. E., e Olds, S. W. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed. 2010; VIGOTSKI, L.S. Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1988; BATLLORI, J. Jogos para treinar o cérebro: desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais. São Paulo: Madras, 2003.

 

⁴Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva, organizado por César Coll, Jesús Palacios e Alvaro Marchesi, editado pela Artes Médicas de Porto Alegre (1995).