Setembro Verde e Amarelo: desafios permanentes!

PRINCELA SANTANA DA CRUZ; ALEXANDRE ZATERA E JAIRO MARCHESAN

Setembro Verde e Amarelo: desafios permanentes!
Ilustração

O mês de setembro é para muitos, especialmente no Estado de Santa Catarina, o mês Setembro Verde, afinal, o Estado possui a Lei Nº. 16.645, de 24.06.2015, a qual designa o referido mês para chamar atenção da população sobre a importância e a necessidade urgente de estabelecer relações mais harmoniosas ou de cuidado ao ambiente, especialmente com as saúdes humana e animal. Além disso, a denominação de Setembro Verde é em alusão à campanha permanente de cuidado com a “Alimentação Saudável e o Consumo Consciente”, ou seja, é fundamental termos alimentação equilibrada, diversificada e promotora da saúde humana. Para isso, uma das formas é o consumo consciente de produtos preferencialmente naturais e orgânicos.

Já a nível nacional, tem-se a campanha do Setembro Amarelo. Esta campanha tem, entre outras funções,chamar a atenção da população brasileira para a importância e a necessidade de valorização da vida em sua plenitude, isto é, lutar pelo bem-estar humano; contra a tristeza; a ansiedade; a depressão e o suicídio. Portanto, é uma campanha para promover, preservar e qualificar a vida humana em sua totalidade.

O Setembro Verde e o Amarelo são campanhas que nos alertam para a importância e a necessidade de estabelecermos relações mais harmoniosas entre nós e de cuidado com o ambiente. A qualidade ambiental implica, também, na qualidade de vida das pessoas. Dito de outro modo, a saúde mental depende, também, da qualidade ambiental e, consequentemente, implica sobre a vida humana. Por isso, é importante a conexão positiva e recíproca das pessoas entre si e destas com o ambiente, afinal, até mesmo os animais quando judiados, maltratados ou mantidos em cativeiro e privados do contato com a natureza sofrem, apresentam sintomas de ansiedade, inclusive de depressão.

Por estas e outras razões precisamos intensificar nossas conexões com a natureza e as demais formas de vida. Não apenas no mês de setembro deveríamos pensar na valorização da vida e na saúde mental, no combate ao suicídio e na preservação das matas e animais. Precisaríamos, sim, considerar tais questões permanentemente. Sabemos que muitos são os fatores que podem interferir negativamente na vida humana e até levar ao suicídio. Por isso, sabemos, também, o quanto é importante ou fundamental estabelecer conexões positivas com a natureza. Por exemplo: contemplar e interagir com a natureza, praticar caminhadas, relacionar-se com a terra (solos), a água, os vegetais, os animais e assim por diante. Isso pode nos fazer ou deixar bem física e psicologicamente, principalmente nestes períodos de pandemia, porém, sobretudo nestes tempos estranhos, bicudos, de insegurança em várias dimensões. Afinal, quando nos sintonizamos ou conectamos com maior intensidade com a natureza, há a tendência de também cuidarmos mais de nós. Evidentemente, isso é um processo recíproco.

O sistema em que estamos inseridos e conduzidos pelo consumismo nos é tentador e gera a necessidade de termos mais coisas ou objetos. Chegamos à situação de continuar a “acumular ou potencializar a acumulação”, numa ânsia insana de acharmos de dar significado à nossa vida às custas de objetos e superficialidades. Às vezes podemos ter centenas ou milhares de “amigos virtuais”, mas, às vezes não temos um amigo presencial na hora da amargura ou da tristeza. Parece que precisamos satisfazer cada vez mais o ego que nos exige o carro do ano, o smartphone do momento, estarmos sintonizados com as últimas tendências de moda numa tentativa que sabidamente já tentamos antes e que nos gerou mais vazio interior, ao invés de pensarmos no desenvolvimento do nosso ser como seres humanos, voltados aos valores, ética e moral. Por isso o sistema pode nos levar a uma desconexão com a natureza. No entanto, por que tanto trabalho e pouco contato com a natureza? Que tal mais contato com a natureza e menos trabalho e consumismo?

Precisamos lembrar que, se chegamos a este nível da evolução técnico-científica, sempre contamos com a natureza. No entanto, se alcançamos tempos de avanços tão gigantescos em todas as áreas da tecnologia, chega a ser uma traição com o nosso próprio EU, que, ao avançar dos tempos e das Eras foi cunhado pelo binômio homem x natureza. Em algum momento achamos que podemos viver sem ela, mas esquecemos que ela é parte importante de nossa existência como indivíduos e, principalmente, como espécie!

Então, qual o preço que estamos pagando para termos ou tentarmos ter saúde verde e amarela e qualidade de vida? O tempo é de urgentes reflexões, ações e relações mais harmoniosas e de cuidado entre nós e com o ambiente.

 

 

 

PRINCELA SANTANA DA CRUZ e ALEXANDRE ZATERA. Discentes do Programa de Mestrado e Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado.

 

JAIRO MARCHESAN. Docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado.