DESAFIOS À RESPONSABILIDADE SOCIAL COLETIVA

Jairo Marchesan e Deise Carolo

DESAFIOS À RESPONSABILIDADE SOCIAL COLETIVA
Ilustração

                As abordagens, discussões e ações sobre ou o que envolve a responsabilidade social, especialmente ambiental, estão comumente relacionadas ao setor empresarial, normalmente às grandes empresas ou corporações. Muitas vezes, as empresas limitam-se apenas a divulgar belos discursos ambientais e sociais, assim como de propagandas em causa própria. Além disso, muitas empresas somente praticam a responsabilidade social por questões mercadológicas, por exigências de cumprimento da legislação, cobranças de mercado ou até pressão dos consumidores. Mas as empresas que de fato executam a responsabilidade social por opção e com seriedade, caracterizam-se pela sensibilidade e respeito ao ambiente e às pessoas, ou por ações que proporcionem benefícios econômicos, sociais e ambientais. De qualquer modo, muitas empresas que de fato possuem em seus planejamentos estratégicos de negócios e executam a responsabilidade social, conquistam status, certificações nacionais e internacionais, reconhecimento, respeitabilidade e valorização da sociedade, dentre outros.

                Mas, afinal por que as pessoas e a sociedade de maneira geral não adotam e executam práticas ambientais de responsabilidade social no seu cotidiano? Por que não praticam a coleta, a separação e o encaminhamento do lixo para a reciclagem? Por que não praticam a separação dos resíduos orgânicos e posteriormente encaminham a uma composteira? Por que não reduzem o consumo de energia elétrica, produtos e de água doméstica ou onde quer que estão ou atuam? Por que não plantam árvores, constroem hortas e tantas outras ações ambientais, por exemplo? Por que não, estas e tantas outras simples ações ambientais exequíveis, fáceis e viáveis de serem implementadas ou realizadas? As respostas, talvez já sabemos. Talvez, porque somos uma sociedade de massa, de características clientelista, patrimonialista, dependente, de baixa escolaridade, dentre outras. Às vezes, também, por nos sentirmos bem em nossa zona de conforto e de atribuirmos a responsabilidade ao Estado e aos outros. Neste sentido, há a necessidade de tomarmos consciência, sairmos do comodismo e fazer! Simples assim!

                Nesta direção, não comprometer-se com as questões públicas, de uso e interesse coletivo demonstra que os brasileiros ainda não conseguiram conformar uma concepção de sociedade suficientemente à altura dos desafios que lhe competem e isto se revela na ausência de percepção, de distinção entre a esfera pública, aquilo que é de interesse de todos, e como tal, deveria ser preservado pelo esforço coletivo, e aquilo que é de interesse privado e que diz respeito única e exclusivamente à esfera dos indivíduos.  Mais: a ausência de distinção entre interesses públicos e privados se dá na trajetória de conformação de uma sociedade patrimonialista em que os interesses privados, das elites, dos senhores do engenho, dos coronéis, das bancadas capitalistas se sobrepõem aos interesses da maioria dos brasileiros.          

            Por isso, se a sociedade se reconhece em tal conformação política e econômica, for mais proativa, interessada em se conhecer, tiver iniciativa, boa vontade, responsabilidade socioambiental e adotar simples práticas como as elencadas acima, sem dúvidas, estará, de alguma forma, contribuindo para a redução do impacto negativo ambientalmente. Paralelamente, estará contribuindo socialmente, politicamente, economicamente e, evidentemente, também ambientalmente. Do mesmo modo, estará estabelecendo novas relações entre si e com a natureza. Igualmente, estará agindo em prol da construção de uma sociedade sustentável e em direção de um novo patamar civilizatório. Aliás, urgente e necessário.

                Por isso, às vezes, precisamos sim, acordar nossa adormecida consciência e estimular reflexões no sentido de reconhecer nossa histórica conformação social, política e econômica, mas, também, exercitar práticas ambientais em prol da sustentabilidade regional, nacional e do Planeta. Possivelmente, não nos faltam informações, legislações e condições! Falta-nos, possivelmente, iniciativa, boa vontade e começar. Simples assim!

 

Deise Thais Natsume Carolo - Mestranda no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: deisenatsume@yahoo.com.br

 

Jairo Marchesan - Docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: jairo@unc.br