Ambiente e bem-estar mental em tempos de pandemia!

Princela Santana da Cruz; Jairo Marchesan

Ambiente e bem-estar mental em tempos de pandemia!
Ilustração

Em tempos de pandemia devido ao Covid-19, o isolamento social, a redução da exploração ambiental, de produção de produtos, circulação de pessoas e, de certa forma, do consumo de produtos e serviços, gerou alguns benefícios ambientais. Algumas reportagens televisivas recentemente divulgadas neste primeiro semestre de 2020 mostraram que alguns elementos da natureza e de determinados lugares do mundo melhoraram qualitativamente sob o ponto de vista ambiental, devido, por exemplo, à diminuição da poluição atmosférica, a qual proporciona melhor qualidade do ar.

Isso mostra o quanto o modo de produção, distribuição e consumo capitalista em curso, gera intensas e extensas consequências ambientais, as quais implicam negativamente sobre a disponibilidade e qualidade dos bens naturais. Se, em praticamente dois meses de redução da produção, circulação, distribuição e consumo o ambiente sinalizou algumas melhorias, demonstra, também,que a sociedade humana precisa rever suas condições de vida, relações com a natureza e de consumo, bem como, sua organização social, política e principalmente econômica!

Na condição de seres humanos sociais, nos organizamos em sociedade através das relações que estabelecemos conosco, com os outros e também com a natureza. A falta dos tradicionais contatos das pessoas entre si e com grupos sociais (isolamento social) por meio de encontros religiosos, sociais, familiares, dentre outros, são fatores que podem desencadear quadros psicopatológicos negativos, como por exemplo, a ansiedade, a depressão e, em casos mais graves, até mesmo potencializar possibilidades de suicídio. Portanto, é inerente ao ser humano a necessidade de encontrar-se com seus semelhantes, estabelecer relações ou interagir em vários contextos sociais, incluindo os ambientais. Neste contexto, muitas viagens, passeios e turismo ambiental eram atividades crescentes e que implicavam e movimentavam a economia. Com a pandemia do Covid-19 muitas dessas atividades ficaram quase inoperantes e impactaram significativamente na economia e também nas relações humanas.

No entanto, apesar das orientações de médicos infectologistas, dos especialistas da área da saúde e dos decretos de alguns governos de Estado a favor do isolamento social e da solicitação para que as pessoas não se expusessem publicamente, mesmo assim, percebe-se pessoas viajando, ocupando parques e praças e até frequentando praias. Isso nos faz pensar o quanto os seres humanos têm necessidades de contato não apenas interpessoais, mas, também, com a natureza. Com a pandemia do Covid-19 e a gradual mudança de comportamento das pessoas para prevenção da propagação do novo coronavírus é de se pensar também em novas maneiras de estabelecermos contato com a natureza sem gerar tantos e negativos impactos ambientais. Afinal, precisamos da natureza para sobrevivermos e dela também dependemos para termos saúde mental e qualidade de vida, visto que pesquisas já apontam que o contato com a natureza contribui positivamente para combatermos estados depressivos e de ansiedade. Que neste período de quarentena devido a pandemia, possamos aprender a valorizar mais os bens naturais (solos, água, fauna e flora), e, assim, favorecer a qualidade ambiental, o nosso bem-estar mental.

Os processos de valorização da natureza e de respeito ao patrimônio ambiental natural precisam ser estimulados desde a mais tenra idade. Isso é possível e necessário ensinar as crianças a cuidarem do ambiente, apreciar e contemplar os elementos da natureza, plantar árvores, cultivar algum vegetal, respeitar os animais, bem como, estimular as crianças a estabelecerem relações amistosas com o ambiente. Isso pode proporcionar estímulos cognitivos que posteriormente poderão contribuir em práticas de cuidados ambientais. Além disso, podemos e devemos, também, estimular hábitos alimentares mais saudáveis, até a redução dos níveis de consumo, afinal, todos os produtos produzidos são provenientes da natureza.

É por meio dessas relações, vivências e práticas que estabelecemos entre nós e o nosso patrimônio ambiental natural (natureza), que poderemos e deveremos construir ambientes e pessoas mais saudáveis.



Princela Santana da Cruz - Mestranda no Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: princela@unc.br


Jairo Marchesan - Docente do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC). E-mail: jairo@unc.br