Reflexões sobre questões de gênero

Na história da sociedade humana, o patriarcado se impôs como mais um dos instrumentos do sistema político e social de controle das relações humanas societárias. Concebe-se e justifica-se o patriarcado como uma das relações de poder que designa ao homem maior poder sobre as mulheres, tanto nos aspectos sociais, políticos ou econômicos. Tais concepções e práticas ocorrem e permeiam todo o tecido social de forma direta e indireta, seja de forma consciente ou inconsciente. De fato, tais situações se materializam cotidianamente na vida das pessoas, seja, por exemplo, nas relações de superioridade e de autoritarismo ou de que os homens desempenham funções e ações melhores do que as mulheres. Assim, o patriarcado é a concepção e a prática de que os homens detêm poder maior que as mulheres nas esferas sociais, políticas, econômicas, dentre outras. Assim, essa percepção permeia a vida social de forma sutil, no inconsciente coletivo e tende a reforçar as desigualdades entre gêneros. A questão de gênero ganhou força e espaço acadêmico e social nas últimas duas décadas, principalmente. No entanto, há de se considerar a história: após as barbáries contra a humanidade da Segunda Guerra Mundial (1945), a Organização das Nações Unidas (ONU) redigiu e proclamou no ano de 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O artigo segundo da Declaração afirma que, independente do sexo, todos os seres humanos têm capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesse documento. No Brasil, no ano de 1988, foi promulgada a Constituição Federal. Em seu Artigo 5º, afirma que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. No ano de 2000, a ONU estabeleceu um conjunto de metas conhecido como Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O terceiro objetivo apregoa: “a igualdade entre sexos e a valorização da mulher”. Feminismo é uma palavra que, de certa forma, ainda assusta a sociedade conservadora. Afinal, é um movimento não entendido suficientemente pela grande parte da população. O movimento feminista não busca nada do que não esteja garantido na Constituição brasileira ou na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Busca, apenas o respeito e os princípios da igualdade. Não existe ou não há a intenção de buscar a supremacia feminista ou ocupar espaços das mulheres sobre os homens. É apenas um processo de luta pela justiça e igualdade de direitos. No Brasil, é público e notório o conhecimento de práticas de violências e discriminação contra as mulheres. Por estas e outras razões, justifica-se, ainda, e infelizmente, a necessidade da atuação das Delegacias de Polícia das Mulheres! Por isso, a discussão sobre igualdade de gênero é importante, pois, trata da violação de direitos que, teoricamente são assegurados constitucionalmente, mas, na prática, são negadas às mulheres. Esta discussão pode e precisa ser estendida a todas as esferas da sociedade, na perspectiva de gerar e fortalecer a consciência sobre o tema, bem como, que se estabeleça relações amistosas entre homens e mulheres. Discutir a questão da igualdade de direitos e de respeito entre homens e mulheres deve ser uma questão de coerência e justiça política e social. Afinal, o tema é atual, pertinente, urgente e necessário de ser discutido e praticado. 


Jairo Marchesan

Professor de Geografia da Rede Pública Estadual de Educação e do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado (UnC)

 

Joana Marchesan

Psicóloga