Debate Acaert demonstra equilíbrio dos candidatos ao Governo de SC

Em termos gerais, os candidatos estão cientes da condição delicada do caixa do governo estadual.

Por Paulo Ricardo Ferreira 24/08/2018 - 12:33 hs
Debate Acaert demonstra equilíbrio dos candidatos ao Governo de SC
Debate ACAERT 24-08-2018

 

                Se na esfera federal “ta osso” acompanhar os debates pela falta de relevância nos assuntos dos candidatos, Santa Catarina, mais uma vez, demonstra passar incólume pela polarização irracional do cenário nacional. No Debate Acaert, exibido nesta sexta-feira, 24, por mais de 50 emissoras de Rádio do Estado, na qual destaco em Canoinhas e Concórdia as Rádios UnC, atesta o equilíbrio nos discursos em análise.

                Os candidatos ao governo catarinense aproveitaram as duas horas de programa para expor idéias de real interesse dos cidadãos do estado, bem como divergiram em diversos assuntos, cada qual, no entanto, com a relevância que a sua corrente ideológica exigia. Dá orgulho de ver que “quem deu o nome” por aqui, se preparou para o período eleitoral.

                Se por um lado o debate dos candidatos a presidente fica redundante ao “eu vou fazer isso, mas não sei explicar como”, em Santa Catarina, pudemos ouvir um debate de alto nível em que se transcorreu sobre a economia, geração de empregos, tributação, segurança pública, saúde, educação, agricultura, pesca, turismo e até mesmo o patinho feio dos temas, meio ambiente.

                Em termos gerais, os candidatos estão cientes da condição delicada do caixa do governo estadual.

                Mais a esquerda, Décio Lima (PT) disse que iniciará sua gestão extinguindo as Agências de Desenvolvimento Regional para economizar recursos, e que trabalhará no interior a partir das associações de municípios. Além disso, discorreu sobre reduzir os benefícios fiscais e investir no micro-empresário.

               Ao centro, Mauro Mariani (MDB), afirmou que o estado precisa otimizar a gestão, concentrando esforços a melhorar em tecnologia. Para ele, apesar de as Secretarias de Desenvolvimento Regional terem cumprido um bom papel, citando os recursos que chegaram a cidades mais longínquas da capital, disse ser outro tempo, que precisa de um novo modelo que acompanhe os dias atuas. Também destacou o importante papel do empresário para a dinâmica da economia catarinense.

                Ao centro também, mas com nuances mais conservadoras, Gelson Merisio (PSD) se comprometeu a encerrar as atividades das Agências de Desenvolvimento Regional. Ele destacou que o governo de Raimundo Colombo já fez muito pelo estado, principalmente por manter estáveis as contas em um momento de crise, e que esse modelo deve sustentar a sua forma de gestão que, segundo ele, ainda será melhor na integração de informações e tecnologia.

                Na direita, Carlos Moisés (PSL) destacou a reforma que precisa ser feita no Estado e na União. Forte defensor da revisão do Pacto Federativo, apontou para a incapacidade de desenvolvimento ao longo do tempo, caso a questão não seja tratada. Para geração de empregos destacou a parceria com o setor privado.

                Na esquerda, Leonel Camasão (PSOL), defendeu a redução drástica dos incentivos fiscais do estado, que segundo ele, poderiam reduzir a os juros e a própria dívida pública corrente. Citou investimentos no setor de serviços e a manutenção de todas as estatais catarinenses, ao afirmar que, se eleito, não privatizará nenhuma empresa.

                Os candidatos ainda demonstraram idéias a contento ao afirmar que a Segurança Pública precisa de investimento. Merisio quer tecnologia e mais policias para ter mais gente na rua, além do aumentando das operações, Mariani quer integrar as informações, aumentar o policiamento ostensivo, adquirir novos equipamentos, e aumentar a fiscalização nas fronteiras do estado, Lima quer, além da valorização policial, cuidar do desassistido como um trabalho de prevenção.

                Na educação, Mariani destaca forte investimento no Ensino Médio, posição defendida também por Merisio que enfatizou ainda a necessidade de modernizar as escolas e os métodos. Para Lima, também é necessário investir na valorização e capacitação do professor.

                Na saúde, ambos defendem a integração da rede hospitalar, públicos e filantrópicos. Além de destacar o cumprimento da legislação no investimento obrigatório na área.

                Enfim, dá pra tirar boas conclusões e, de uma forma boa, ficar na dúvida. Como todas as idéias parecem fazer sentido ao pensar todo estado, todos os candidatos saem fortalecidos, sendo, aos meus olhos, impossível apontar um vencedor. Ganhador mesmo, foi o eleitor catarinense que ao acompanhar o Debate Acaert pôde conhecer um pouco mais de cada um, sem ficar refém do “papinho de político” tão famigerado no horário eleitoral gratuito.

                Vale aqui o registro e as felicitações a toda Equipe Acaert – Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV, bem como a de todas as emissoras da Rede, pelo trabalho impecável na geração e transmissão, na formatação das perguntas, na isonomia,  na imparcialidade, na seriedade com que todos trataram essa primeira experiência das eleições 2018.

                O próximo debate ACAERT é no dia 25 de setembro, poucos dias antes do pleito. Até lá os candidatos devem amadurecer suas idéias e trocar experiências com suas bases, e a exemplo do primeiro, devem dar uma nova demonstração de capacidade para liderar nosso estado.

Sem mais, desejo sabedoria ao leitor para escolher em quem depositar sua confiança.

 

VOCÊ PODE ASSISTIR A GRAVAÇÃO DO DEBATE AQUI.