Essa é a eleição do AMIM?

Por Paulo Ricardo Ferreira 09/07/2018 - 16:55 hs
Essa é a eleição do AMIM?
Lançamento pré-candidatura de Esperidião Amim em Canoinhas,06 de julho

 

O PP chega em 2018 com cara de novidade. Agora é “P” – de Progressistas, com uma marca moderna, um discurso centro-conservador, e em muito, também, disposto a recuperar a moral e os bons costumes, após o achincalhamento nacional da sigla nos escândalos de corrupção capitaneados por PT e PMDB, endossados por parlamentares pró governo Brasil à fora. Vale ressaltar que essa é uma marca que poderia ter grudado em AMIM e acabado com qualquer prospecção política do então pré-candidato ao governo. Mas o discurso não grudou e pelo jeito não vai.

Esperidião passou com integridade pelos escândalos, e até aqui, sem manchas, respingos ou apelidos que possam o ligar ao furacão da corrupção em Brasília. Tem crédito e sabe disso, tanto que naturalmente suas campanhas usam slogans com referências à “confiança”. É nome, forte e vai mexer na balança eleitoral de Santa Catarina, não há dúvidas sobre.

“Essa é a eleição de Amim”, e é isso que você vai ouvir de qualquer progressista da base fundamental do partido. Analisando um cenário, onde, teoricamente todos os outros adversários demonstram problemas de popularidade nas regiões das quais não tem domicílio eleitoral, o mais popular pode facilmente emplacar um discurso de Unidade no Estado. Pelo menos é nisso que os progressistas que não fazem parte da ala “Pró-Merísio” acreditam.

Para uma rápida análise do cenário é importante lembrar que os Progressistas assinaram um livreto de intenções com PSD para a composição de um projeto, no qual, Gelson Merísio acredita ser o capitão. Dia após dia, dizem os mais próximos, sente-se mais Candidato ao Governo do Estado. Liderança carismática indiscutivelmente forte no Oeste Catarinense, tem investido bem no desejo de sentar na principal cadeira da Agronômica, sede do Governo. Os progressistas que apóiam a composição são quase os mesmos que condenaram o PP de 2014, a abraçar Paulo Bauer (PSDB) nos 48 do segundo-tempo, logo após um fracasso na composição com o Governador Raimundo Colombo.

O projeto de Merísio não é ruim, mas também não é bom para os Progressistas, que há tanto tempo não sabem o que é Governar; e é nesse sentimento de “nós precisamos voltar a mandar na caneta” que AMIM ganha força. Tanto é que nem quando o partido supostamente apoiou o nome de Merísio, Amim recuou: “Não vamos cometer o mesmo erro de 2014, estou a disposição para concorrer a eleição e principalmente se ela for difícil”, disse em entrevista à Rádio UnC Canoinhas, realizada em 2017.

Logo, com Merísio não empolgando o eleitorado fora da região oeste – e vale ressaltar que estamos há menos de 4 meses da eleição – Amim seria a saída mais sensata e que poderia conquistar com mais facilidade as lideranças do Partido e de seus apoiadores. Vale ressaltar que os Progressistas são cautelosos no assunto, porque também sabem que o sucesso da investida depende do Apoio ao PSD (nem que seja num segundo turno), para chegarem ao Centro Administrativo Catarinense.

Nas outras pontas, MDB, vai com Mauro Mariani, que até aqui, empolga Joinville e o Planalto Norte; porém, que também não tem decolado em outras praças. E, claro, não menos importante, o PDSB que ensaia a Candidatura de Paulo Bauer, mas que entre respingos e especulações da Lava-Jato, pode só não acontecer.

Os partidos de médio porte, mas que já estão prontos para abraçar as composições, antes com Merísio, agora já pensam em AMIM. Cita-se o PSB dos Bornhausen, e o Solidariedade ligado à classe sindicalista não radical. O PR, que seria um dos braços do MDB na campanha, também fica atento às movimentações da Família Amim e pode virar um bom filho a qualquer momento. Além do nome, também tem um pouco a ver com o “medo” do interior.

Com os dois principais candidatos (MDB/PSD) oriundos de terras tão distantes da capital, não faltam especulações sobre o que será da ilha. Some a isso, toda uma região que se acostumou a ser pulso econômico e tomou um caminho diferente da serra acima. Se mais em baixo a riqueza vem de indústrias de tecnologia, logística, montagem industrial, aliada a construção civil que não para de crescer; mais em cima, é o agronegócio que manda. Trago este argumento como ilustração, porque ainda é sombrio na cabeça do manézinho e de seus vizinhos, o que um forasteiro pode vir a fazer. Nesse ponto, se os discursos das duas siglas não estiveram muito bem formatados e sem pontos abertos, a reação – quase que natural - daquele eleitorado – e que é enorme – é votar em quem está mais perto de casa.

Este é o cenário e assim como demonstrou na última sexta-feira, 07, ao visitar Canoinhas, Esperidião Amim, que é uma das maiores lideranças políticas do estado (independendo de mandato), está com toda a energia para enfrentar a disputa. Basta saber se a costura política dos partidos vai, ou não, possibilitar que siga essa trilha e o apoio que construa em torno de si, bate o martelo se a ele pertence esta eleição.

Em Tempo

Shimoguiri, (PSD), compôs a mesa de autoridades no evento que ocorreu em Canoinhas, no Clube Laffayette, para o lançamento da pré-campanha de Esperidião Amim. Aos que estranharam um possível desprestígio ao ex-prefeito Elói Quege (PP) e que também estava no evento; vale ressaltar que Elói, em 2014, era muito próximo a João Pizzolatti, na época presidente do PP-SC e que foi um dos responsáveis pela NÃO candidatura de Amim ao governo naquele ano. A chapa do partido perdeu. Amim voltou à Câmara Federal.

Contas Estaduais

Mais um ano engraçado para a Política Catarinense. O mandato ainda nem terminou e já se fala em caos financeiro. Fico duvidando, desde já, que alguém possa prometer algo ao estado na eleição, uma vez que primeiro vai ter que achar dinheiro pra pagar as contas.

Pra Finalizar:

Não consigo entender esse termo “pré-candidato”, que tem de ser utilizado na “pré-campanha”. Se o cidadão disponibiliza seu nome e sai visitando lideranças, cidades e amigos em busca de apoio é CANDIDATO e está em CAMPANHA. Se as convenções vão abençoar ou não o registro, é outra coisa.