REGIÃO SEM NINGUÉM NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Coluna está de volta para analisar os cenários políticos da região e do estado.

Por Paulo Ricardo Ferreira 22/04/2018 - 21:17 hs
REGIÃO SEM NINGUÉM NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Antônio Aguiar, atual deputado estadual do PSD, eleito pelo MDB.

 

De volta!

Caros leitores, depois de um ano afastado das palavras devido a outros compromissos que assumi em minha a vida, estou de volta e justifico: é ano político e toda e qualquer informação que ajude a interpretar os cenários, ajuda também, a fazermos um voto mais consciente e como conseqüência termos uma vida melhor.

Infelizmente, escrever ou opinar sobre política, especialmente neste ano, é um tanto quanto perigoso, ainda mais quando vemos as diversas hostilidades praticadas por cegos amantes do debate desastroso feito com ataques, mentiras e calúnias, vindas da radicalização à direita e esquerda do cenário. Aqui, como você deve presumir, não teremos isso e nem toleraremos.

Vamos à busca do debate saudável, com análise, crítica e posicionamento racional dos fatos ocorridos no cotidiano.  Acreditamos que a democracia é a defesa do nosso modo de vida, dos nossos conceitos de mundo, da liberdade que nos é ofertada. Defender a livre expressão e dela usufruir é garantir que o nosso mundo funcione, mesmo que tenha diversas intempéries.

Desta forma, peço licença para fazer parte dos conteúdos que você lê e assim, convidá-lo a comentar, compartilhar e também expressar sua opinião, seja nas plataformas onde somos publicados, seja nas redes sociais. Vamos debater e valorizar a nossa liberdade de fazer um mundo melhor, para gente, e para as próximas gerações.

PODEMOS FICAR SEM NINGUÉM NA ASSEMBLEIA

ALESC

                Hoje dedicarei a coluna a tratar da representação política na Assembleia Legislativa Catarinense, do ponto de vista do Planalto Norte. É sabido que a região tem uma depreciação histórica imposta pelo tempo de indefinição territorial marcada pela Guerra do Contestado e que anos depois, ainda se manifesta em forma de atraso, pobreza e baixa representação política nos cenários estadual e federal. E a situação pode piorar.

                Neste ano que passou, vários acontecimentos bagunçaram a organização do Planalto Norte. O primeiro ano de governo dos prefeitos da região passou longe de ser o sucesso que muitos esperavam, em algumas cidades a falta de habilidade política das lideranças tem causado o encolhimento dos municípios. Destaca-se também o aperto de contas que os governos estadual e federal conferiram, reduzindo, por exemplo, estruturas públicas nas cidades. Além disso, o troca-troca de partidos, companheiros, ideologias e aspirações dos representantes da região contribuem para esse cenário de indefinições.

                Antônio Aguiar, que atualmente está no PSD, viu na sigla uma oportunidade de seguir carreira na política. No novo partido, apesar do tempo de vida pública que já pesa em suas costas, chega com ar de novidade e traz esperanças à legenda que tenta se consolidar na região. Porém, por lá, tem-se um problema. É a primeira vez que um candidato regional a deputado corre pelos peessedistas. Por ter escolhido não apoiar os companheiros de partido na eleição municipal, Aguiar perdeu o crédito com eleitores do MDB e vai precisar compensar essa falta. Especulações não faltam e crenças também não. As lideranças da sigla no município acreditam que Beto Passos, atual prefeito, consiga transferir o seu eleitorado à Aguiar e assim garantir uma boa votação em casa para o pré-candidato.

                Mas há o que se observar: Passos é uma figura carismática que começa a sofrer um desgaste natural na prefeitura e mesmo que vez ou outra faça um palanque aqui ou ali, designe um cabo eleitoral acolá, não terá integralidade de tempo para auxiliar Aguiar na empreitada. Além disso, parte desse eleitorado, principalmente nos bairros com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), pode se associar a outras idéias mais condizentes com a sua realidade individual do que com a necessidade política do município. É ruim para Aguiar que pode ver um esvaziamento de sua votação em Canoinhas e com isso, não ter força para estar nas cabeças da legendas do PSD, que tem nomes fortes e de grandes colégios eleitorais. Logo, o voto dado à Aguiar, pode virar composição, apenas, para eleger alguém que não é daqui.

LEOBERTO

leoberto

                A outra esperança é Leoberto Weinert (MDB), também com sede eleitoral em Canoinhas. Bem avaliado enquanto prefeito e com bom crédito na praça, tenta alavancar seu nome para concorrer a uma vaga na ALESC e garantir a voz do Planalto Norte na casa. Ele deve herdar os votos do partido, que costumeiramente dedica sua confiança aos candidatos da própria sigla. Há quem acredite que Weinert possa chegar a 15 mil votos somente em Canoinhas.

                Porém, seu desafio é outro e por isso requer a união de todo o MDB, como os próprios integrantes do partido já sinalizam. Mesmo que Weinert tenha uma excelente votação no seu reduto eleitoral é necessário acrescer nas cidades vizinhas. Somente assim o MDB do Planalto Norte poderia consolidar a sua representação. Mas o MDB tem encontrado barreiras nos municípios. A eleição municipal, na região, foi ruim para os emedebistas e isso obrigou a busca por alianças suprapartidárias para levar Leoberto à Assembléia.

                A estratégia é simples: Weinert têm percorrido as cidades e demonstrado a necessidade em manter a representação em Florianópolis. Destaca sua história, o crédito que tem em seu eleitorado, as realizações que consolidou em sua passagem de dois mandatos pela prefeitura de Canoinhas. Fala sobre os potenciais da região, do investimento em tecnologia nos negócios locais, e em recuperar a importância do Planalto Norte na economia estadual. É através desta linha que tenta unir eleitores em sua causa de Campo Alegre até Porto União.

                Leoberto tem uma vantagem: Conta com apoio irrestrito de Mauro Mariani, pré-candidato ao governo, e que tem endossado a pré-candidatura do canoinhense por onde passa. Com boa avaliação em todo o Planalto Norte, Mariani pode abrir as portas para uma boa votação à Weinert fora de casa. Soma-se a isso o entusiasmo emedebista em apoiar suas lideranças. O caminho, no entanto, é difícil e cheio de curvas.

                Se nem Weinert nem Aguiar chegarem à ALESC, podemos ficar sem representantes na Assembléia Estadual, e conseqüentemente, com menos recursos, com menos apoio, com menos importância. Em tese, ficamos sem voz.

                É importante se lembrar que é recorrente que surjam os candidatos pára-quedas, impulsionados por cabos eleitorais locais, levando daqui, os votos que poderiam, tranquilamente, eleger mais representantes para defender a região.

                Por isso se alerta para que o eleitor pense no voto regionalizado. Canoinhas e as cidades ao entorno já padecem sobre um atraso de quase meio século em relação a outras regiões catarinenses e ficar sem representação política poderia ser catastrófico. É hora de ser responsável, deixar os interesses pessoais de lado e reconhecer que a gente só vai alcançar o pleno desenvolvimento, quando elegermos lideranças capazes de articular pelos nossos municípios.

Mudando de Assunto

                O que não falta é gente oferecendo o nome para concorrer às eleições de 2018. Até agosto, vários nomes ainda irão aparecer. Mas não se engane! A maioria é fogo de palha tentando ganhar valor aqui ou ali e assim arrebatar um financiamento extra em troca de apoio. - É o Brasil, e infelizmente as coisas acontecem assim por aqui.

Definição

                Os partidos tem entre  20 de julho e 5 de agosto para realizar as convenções para a escolha dos candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, deputado federal e deputado estadual. Em tese, até lá, tudo é especulação.

TRE

                A justiça eleitoral catarinense quer aumentar a participação de jovens na eleição e está realizando a campanha "O voto é meu - Meu futuro. Minha escolha". Nela, representantes vão até escolas de ensino médio destacar a importância do voto na democracia.

CANOINHAS

                A novela da GERSA continua e daquele jeito onde o roteiro já acabou e fica-se insistindo na criação de factóides para aumentar o enredo.

TRÊS BARRAS

                A prefeitura municipal tenta passar na Câmara um projeto de lei que cria 15 cargos na estrutura administrativa do município. Só que, na primeira vez que tramitou na casa, teve político da situação se rebelando contra o projeto. Resultado: Agora há resistência em votar a questão porque se nem a situação tem apoiado o tema, como é que os outros vão apoiar?

EM TEMPO

                É realmente necessário criar mais cargos na estrutura de Três Barras? O que vão fazer, no que vão ajudar, não da pra fazer sem eles? É importante ponderar sobre estas questões.

FINALIZANDO

                Mauro Mariani passou pela cidade e reuniu a imprensa. Bom de discurso demonstra estar preparado e ter muita vontade de governar SC. Vale ressaltar, no entanto, que os temas e linhas utilizadas em suas falas, lembram o discurso dos concorrentes do PSD. Quando questionado sobre como iria se diferenciar, Mariani dispara: “vou questionar que se eles são governo, por que só querem resolver agora? Estão há oito anos lá e não fizeram”, dispara. Só fico me perguntando se o chapéu... bom... Até semana que vem.