Nome de quem?

O debate sobre nomes e inaugurações de Obras Públicas

Por Paulo Ricardo Ferreira 29/04/2018 - 14:02 hs
Nome de quem?
Paulo Glinski (PSD) - Vereador pelo município de Canoinhas

 

Nome de quem?

                É bom de se ver e ouvir quando os vereadores adotam discursos lúcidos e que têm impacto na percepção da população em relação ao trabalho dos agentes públicos. Nesta semana o vereador de Canoinhas, Paulo Glinski (PSD), abordou a questão de somente nomear obras, prédios, e construções da cidade, quando as mesmas estiverem, no mínimo, iniciadas e com previsão de término. O tema foi apresentado na sessão de terça-feira, 24, ao destacar o projeto de lei de autoria do vereador Chico Mineiro (PR), que pretende acabar com a inauguração ou entrega de obras públicas inacabadas, ou que não estejam em condições de atender aos fins que se destinam.

                Para o vereador é muito comum que obras que ainda nem saíram do papel, já tenham sido nomeadas para homenagear pessoa “A” ou “B”. Para ele, é incoerente: “você nomina um prédio público, que talvez não vá acontecer, não vá existir e não vá beneficiar a comunidade”, ironizou Glinski. Ele ainda falou da importância da ampla discussão na nomeação desses prédios.

                O vereador tem razão nos dois temas. O primeiro, porque é comum ver que líderes do movimento X, nomeiem prédios com nomes de referência no movimento X; e líderes do movimento Y nomeiem prédios com nomes de referência no movimento Y. Tudo depende do gracejo que se quer fazer ou apoio a conquistar.

                Não distante disso, têm-se em toda a região – esse não é um mau costume atribuído somente à política de Canoinhas – o hábito de nomear obras que ainda estão na fase de planejamento. Espertos, os responsáveis sabem que é mais fácil dar publicidade a ação e assim tentar fixar na cabeça das pessoas a autoria da obra. É por isso que os mais atentos aos jornais, sites, programas noticiosos, têm a impressão de receber a mesma notícia por diversas vezes. E recebem.

                Para exemplificar e evitar o apontamento do dedo para um ou para outro, vamos utilizar o termo “Escola do Barão”.

                Funciona assim: alguém tem a idéia de realizar uma obra, a nomeia como “Escola do Barão”, já se dispõe a aprovar este nome, divulga aos seus jornalistas/radialistas preferidos. Semanas depois, sem nenhum fato novo relevante, noticia-se o início do projeto “Escola do Barão”. Mais tarde, distribui-se aos quatro cantos a finalização do projeto técnico da “Escola do Barão”. Não distante, surge algum deputado ou agente político de instância maior garantindo os recursos para a “Escola do Barão”, nessa onda tem o lançamento do edital de licitação da “Escola do Barão”, o término das inscrições da “Escola do Barão”, o vencedor da licitação da “Escola do Barão” e por fim a assinatura do documento que, em tese, autoriza o início da construção da “Escola do Barão”. Até aí a “Escola do Barão” não existe no mundo real, porém, já se tornou um conceito benéfico na cabeça de quem acompanhou todo o noticiário. É uma tática de comunicação que tenta atribuir um sentimento de trabalho e andamento na cabeça das pessoas. Benefício real? Até então, nenhum.

                É importante que o leitor perceba aqui, a utilização errada da nomenclatura de prédios públicos: que longe de homenagens XY, apadrinhamentos, e marketing político barato, deveria estar concentrada em bem identificar as estruturas e facilitar o dia a dia de quem as utiliza. No fim, imune a guerra dos egos e provações, a comunidade passa a chamar o prédio pelo bairro em que ele está instalado: “a pracinha do Jardim, o posto do Campo D’Água Verde, a escola de Paula Pereira”, e assim por diante.

                As obras públicas precisam ser tratadas com mais responsabilidade e tanto o argumento da nomenclatura, quando o texto sobre as inaugurações, contribuem para um início dessa nova óptica tão necessária na totalidade do serviço público brasileiro. Por fim, Glinski sugeriu o acréscimo de emenda ao projeto de Chico. Os próximos debates poderiam dissertar sobre como garantir a qualidade das obras e o real propósito de cada uma.

Descaso

É só fazer uma rápida visita a prédios públicos que é comum encontrar problemas estruturais. É fiação aparente, paredes inacabadas, pintura desbotada, banheiros interditados (muito comum em escolas), reformas mal planejadas, pisos quebrados, estruturas abandonadas, pra não falar de asfaltos e ruas que mal são inauguradas e já apresentam rachaduras e buracos. Tem que ver isso aí, viu?

Falando Nisso

Três Barras poderá ter um seguro para as Obras Públicas. Projeto tramita na Câmara do município e tem autoria de Ernani Wogeinaki Jr (PSB).

Mega Evento

O MDB do Planalto Norte está preparando um mega encontro da regional no dia 26 de maio. Ele acontecerá em Canoinhas, no pavilhão da Igreja Matriz. Na pauta, Mauro Mariani para Governador, e Leoberto Weinert na Assembleia Legislativa Catarinense.

É o Teste

Se conseguir reunir lideranças de todos os municípios – e os caciques do MDB Canoinhas garantem que sim – Leoberto mostra ao que veio e a força que tem.

E já que o assunto é o MDB

mdb

Na noite de sexta-feira, 27, o diretório de Três Barras realizou a primeira reunião ordinária municipal, onde se reafirmou a necessidade do partido não se omitir de suas responsabilidades nas eleições de 2020. Definiu-se, também, o apoio oficial do partido para o pré-candidato a deputado federal, Ericsson Luef, bem como foi reiterado o apoio ao pré-candidato a deputado estadual da região, Leoberto Weinert. Na foto o presidente da sigla no município, Marco Antonio de Souza, durante discurso aos aliados. Crédito: Divulgação

Em Santa Catarina

Pinho Moreira continua a defender sua política fiscal de reduzir a alíquota de impostos: “a indústria aguarda por essa medida há mais de 30 anos”, afirmou, ao criticar a pressão feita, especialmente, por 6 empresários varejistas, que acreditam ter de arcar com o custo da desoneração.

No Brasil

“Somos um carro de alta performance com o freio de mão puxado”, do empresário Flávio Rocha, CEO da Rede de Lojas Riachuelo e da Midway Financeira, pré candidato à presidência da república.