O grito do silêncio

Ana Maria de Campos Muler Ribeiro

Por ARTIGOS E OPINIÃO 22/11/2017 - 17:51 hs
O grito do silêncio
ILUSTRAÇÃO

É interessante abrir o jornal na página do “reclama cidadão” e analisar as repostas que as Prefeituras oferecem aos leitores. São sempre as mesmas desculpas de que o maquinário está quebrado, ou ainda, que já foram feitas !sim! manutenções naquelas vias, que a dívida deixada pelo antecessor não permite trabalhar, e a clássica transferência de culpa: “foi a gestão passada que deixou deteriorar”.

Mais interessante ainda é acompanhar os palcos políticos em épocas de campanha, onde esses mesmos palcos se tornam cenários de mágica, transformação e esperança. Tudo é simples e fácil de resolver, o que ilustra muito bem que nem sempre teoria se aplica à prática. - Ficar justificando o passado não gera desenvolvimento, muito menos agilidade em atuar nas esferas que estão carentes de atenção, principalmente no combate ao desemprego.  É simpático incentivar descontos para promover decorações natalinas, contudo é preciso levar em consideração que depois da festa, tudo volta ao seu estado original. Então, porque não se pensa em adotar incentivos desse gênero às empresas para abrir mais postos de trabalho e conseqüentemente um up econômico? Se tal procedimento pode ser dado como incentivo para esse fim tão passageiro, parece racional também adotar essa prática para fortalecer a economia durante todo o ano. Quem tem renda, gasta mais, quem não tem fica a mercê de programas sociais. Talvez, se focar mais o cônscio nos esforços em busca de metodologias inovadoras deixando um pouco de lado os “clicks” de eventos e cerimoniais, as necessidades e interesses comuns sejam atendidos e o desenvolvimento econômico e social possam dar o boom que tanto foi prometido. Tem-se discutido muito o fechamento de portas, a ojeriza de perdermos mercado para a cidade vizinha, um chororô interminável! Sugiro, então, deixar de lado o básico e reagir, começando pelo fortalecimento das portas que ainda estão abertas. Elevar o nome da cidade com manobras inteligentes de desenvolvimento. A casa está cheia de cabeças pensantes, porque não usar essa ferramenta para lançar novos produtos, fortalecer cursos existentes na cidade, criar pólos de tecnologia dentro da nossa cultura. Tudo a nossa volta está se moldando, e não interessa onde estão entrando novos mercados, mas sim como podemos contribuir com nossa mão-de-obra e matéria-prima para abastecê-los. É preciso visão para administrar, enxergar as oportunidades e ser melhor na prática. Vive-se um mal contemporâneo de queixar-se da ineficácia de administrações passadas, então trabalhe para ser melhor, mostre como se faz e seja exemplo para os próximos. Essa mania de difamar gestões passadas é um atraso: porque na política precisa ser desse jeito? Não seria mais fácil deixar de lado a cizânia e em vez de criticar, somar os resultados numa linha de melhorias a partir do que já foi criado? Dignidade e nome se ganham a partir de começos, reconhecendo o que já foi feito e dando continuidade naquilo que deu resultado positivo. Os cidadãos precisam cobrar sim por melhorias, e o que não pode acontecer é a demagogia que se percebe nas respostas publicadas que mais parecem um cala-te boca. Não existe remédio constitucional para hipocrisia, mas existe para proteger direitos e interesses individuais.

 

Ana Maria de Campos Muler Ribeiro, graduada em Administração de Empresas, Pós-graduada em GBA (Global Business Administration).